Em entrevista à rádio O POVO/CBN, na manhã de ontem, a senadora Marina Silva (PV), terceira colocada na disputa presidencial, criticou as campanhas dos candidatos José Serra (PSDB) e Dilma Rousseff (PT) no segundo turno; comentou a exploração do tema aborto pelas duas campanhas, e falou das suas perspectivas para o futuro, considerando, inclusive, a possibilidade de concorrer novamente à Presidência, em 2014.
Por telefone, ao programa “Grande Jornal”, apresentado pelo jornalista Nonato Albuquerque, Marina lamentou o “vale-tudo eleitoral” e a postura agressiva das duas candidaturas, nesta fase da campanha.
“Não dá pra gente fazer uma campanha apenas baseado na agressão, no embate. Eu lamento que os candidatos não tenham aproveitado esse segundo turno para discutir propostas. Ficaram aí no vale-tudo eleitoral”, disse a senadora. Para ela, faltou visão aos candidatos, que deixaram de debater as grandes questões do país.
Sobre o uso eleitoral do aborto, tema que dominou parte da segunda etapa da disputa, a ex-presidenciável do PV, que é evangélica e contra o aborto, afirmou que fez esse debate “com seriedade” e em “alto nível”. “No primeiro turno essa questão era perguntada só a mim. Engraçado. É um tema que apareceu nas eleições que eu fiz questão de tratá-lo com profundidade. Sou contra o aborto, mas não satanizei as pessoas que tem uma posição diferente da minha”, disse Marina, sem fazer referência a nenhum candidato.
Questionada sobre o discurso do papa Bento XVI, que ontem pediu a um grupo de bispos brasileiros para orientar politicamente os fiéis católicos a não votarem em quem defende o aborto (leia matéria na página 20), Marina fez questão de dizer que nunca usou a sua fé como “arma eleitoral”, e que acha que o estado laico uma “benção na realidade do Brasil”. Mas, para ela, “as igrejas têm o direito de manifestar, sim, o seu posicionamento”.
Independência
No dia 17 de outubro, a Executiva Nacional do PV decidiu não apoiar nenhuma candidatura no segundo turno, deixando os seus filiados e eleitores livres para decidirem em quem votar. Mas, embora não declare o seu voto e destaque a independência do partido, Marina deixou escapar, nas entrelinhas, a sua preferência. “Apresentamos as propostas aos candidatos. (...) A candidatura da ministra Dilma acolheu mais as propostas, a candidatura do governador Serra, um pouco menos. (...) O que interessa para o Brasil é manter as conquistas do Governo do presidente Lula, principalmente para a população do Nordeste, (...) independente de quem esteja no governo”, disse em referência ao programa Bolsa Família.
Sobre as próximas eleições presidenciais, de 2014, Marina disse que não pensa nisso no momento, mas sinalizou que poderia concorrer novamente pelo PV. “Em 2014 eu espero estar cada vez mais comprometida com esse projeto de Brasil (defendido na campanha), (...) se isso levar a um chamado a 2014, obviamente que eu estarei disponível”.
Temperatura das Eleições 2010
No último dia de propaganda eleitoral gratuita no rádio e na TV destas eleições, o tom foi de despedida e de confiança para o domingo Com a voz embargada, Dilma Rousseff (PT) falou dos progressos obtidos durante o governo do presidente Lula (PT). “Tenho a chance de ser consolidar esse progresso, tenho essa oportunidade”, afirmou. O início do programa de José Serra (PSDB) deu espaço para um “Direito de Resposta”, concedido pela Justiça Eleitoral à Dilma. A propaganda classificou Serra como “o melhor ministro da Saúde que o Brasil já teve”.
Bruno Cabral
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